Acompanhe por aqui relatos e experiências registrados durante a produção da exposição.

Sobre os sentidos no Natal: relato de parto de Maria de Nazaré

 Fiquei pensando como teria sido o parto de Maria.

Escrevo aqui, com muito respeito e carinho e de maneira totalmente ficcional, um pequeno relato de parto baseado em sua história.


Guestpost | Clara Karmaluk (publicitária e mãe)

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Está chegando o Natal: há 2015 anos comemora-se o nascimento, em um parto natural, do homem mais influente da história ocidental. Pessoas de todas as crenças conhecem a história do judeu que nasceu em uma manjedoura e cuja existência mudou o mundo. E este nascimento é comemorado em dezembro: muitas casas cristãs, de todo o mundo, exibem uma reprodução do nascimento de Jesus.

A montagem do presépio é uma tradição de origem atribuída a São Francisco de Assis, no século XII, para melhor contar a história do nascimento de Jesus aos camponeses. O costume se espalhou pelo mundo e comemoramos esta bela representação do parto normal na cultura popular. A cena é conhecida: Jesus recém-nascido está no centro do presépio, entre José e Maria, que o olham com o olhar enternecido de quem acabou de conhecer o próprio filho.  No pós-parto imediato, a família recebe visitas e presentes dos Reis Magos e contempla o bebê ao lado dos animais na manjedoura. A representação é tão viva que quase podemos sentir o cheirinho de bebê. E Maria, puérpera, tranquilamente observa seu filho. É muito emocionante!

Fiquei pensando como teria sido o parto de Maria. Quem a teria apoiado? Seria um parto desassistido? Rápido? Demorado? Escrevo aqui, com muito respeito e carinho e de maneira totalmente ficcional um pequeno relato de parto baseado em sua história, uma homenagem a essa mulher!


Relato de parto de Maria de Nazaré – uma sugestão de história

“Era 754 a.U.c.(Anno Urbis Conditae – Ano da fundação de Roma). Eu e José estávamos viajando para Belém, bem no finalzinho da gestação. A família dele era de lá, e a viagem estava bastante cansativa, eram 112km. Na estrada eu já começava a sentir as contrações do parto, e continuamos andando até alcançar a cidade. Tive que descer do burro, e fui me apoiando em José pelo caminho quando vinham as contrações. Às vezes eu me agachava. Às vezes, apoiava em seu cajado ou em seus braços. Fomos andando lentamente e chegamos a Belém ao cair da noite. Procuramos a casa de alguns parentes ou acomodações na cidade, mas todos os lugares estavam ocupados. Não conseguimos achar um pouso e as contrações foram se intensificando. Já não conseguia mais conversar. Estavam mais longas e próximas, e começava a sentir a vontade de fazer força.

“José encontrou uma manjedoura, um local protegido e agradável onde os animais ficavam recolhidos, e eu pude ficar mais à vontade: me movimentei bastante, bebi água e comi um pouco para repor as energias. A minha parteira foi maravilhosa, pedi a José para lembrar de incluir seu nome nas histórias sobre o nascimento de Jesus. As histórias das mulheres são pouco registradas, mas tenho esperança de que as gerações futuras vão falar mais sobre nós. Quem sabe sobre a parteira que me ajudou e foi tão importante para mim? Ainda mais sendo eu primípara e virgem!

“Depois de algum tempo senti o círculo de fogo e a cabecinha do meu filho começou a sair. Era uma pressão intensa e aos poucos, fazendo força, fui trazendo Jesus para este mundo. Não sei quanto tempo ficamos entregues a este momento, imersos em sua sabedoria, até que aos poucos ele nasceu. Eu não tive nenhuma laceração e ele chegou empelicado, ainda coberto pela bolsa amniótica. A parteira me ajudou para que eu mesma o aparasse e ele viesse para meu colo. Ele se aconchegou em meu abraço amoroso quando proferi uma oração de meu povo. Já nasceu sorrindo, de olhos abertos, como se soubesse de sua importância para o mundo. O ambiente ficou mais claro, todos os meus sentidos aguçados e uma energia maravilhosa tomou conta de mim. Escutei os anjos que cantavam comemorando seu nascimento e senti uma alegria que jamais havia sentido antes. O Senhor estava comigo, foi um momento mágico. Até os animais perceberam que havia algo especial acontecendo e se aproximaram. José estava muito emocionado com o filho que acabara de nascer. Tudo entorno estava calmo e feliz e Jesus mamou pela primeira vez. Foi o dia mais especial de toda a minha vida, e que mudou a história do mundo. Foi no trabalho de parto quando chegou meu filho que eu, plena de amor e júbilo, entendi os sentidos do nascer.”

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3 respostas para “Sobre os sentidos no Natal: relato de parto de Maria de Nazaré”

  1. maria das graças e silva disse:

    Como a vida é linda! por incrível que possa parecer,minha irmã chegou do interior para nos visitar,minha sobrinha me disse : madrinha , vamos dar um passeio no parque das mangabeiras? aproveitando a oportunidade prá sair um pouco de casa fomos;nunca tinha ido, moro aqui há quase cinquenta anos, fiquei maravilhada, onde pude ver esse projeto lindo maravilhoso.participei desse momento saí encantada, hoje sou avó pelo que vi hoje não somente eu , mas como toda geração do meu tempo, sofreram muito.Até ontem eu tinha pavor de gravidez hoje ví que não é bem assim as coisas mudaram e como mudaram, meu Deus! é lindo gerar um filho!, mais lindo ainda é poder ter o prazer de botar o filho nesse mundo com todas as surpresas que pode trazer, voces estão de parabéns pelo projeto mais uma vez parabéns

    • sentidosdonascer disse:

      Que delícia de comentário Maria! Obrigado por ter vindo até aqui deixar este relato para a gente e que bom que gostou! Estaremos até dia 05 de fevereiro no Parque das Mangabeiras, chame os amigos e venha!

      Um abraço grande e o nosso mais sincero obrigado!

  2. Shirlei Tieme Inaba da Fonseca disse:

    Obrigada Maria, por relatar seu parto de maneira tão doce e leve como deveriam ser todos os partos: na hora certa, num lugar tranqüilo, em silêncio, caminhando e fazendo movimento, junto de poucas pessoas. Belo relato! Abençoe a todas mulheres nesse momento sublime!

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